Igreja Católica junta-se à luta pela Amazônia
A Igreja Católica deu início hoje à Quaresma com uma campanha institucional que tem como objetivo chamar a atenção para a necessidade de proteger a Amazônia da destruição sistemática na região. A Campanha da Fraternidade 2007 é educativa e tem o objetivo de divulgar a realidade dos povos amazônicos, sua cultura, seus valores e as agressões sofridas por conta do atual modelo econômico e cultural, afirmou hoje a Confederação Nacional de Bispos do Brasil (CNBB).
"Durante a Quaresma, a Campanha de Fraternidade sobre a Amazônia terá o lema Vida e Missão neste Chão", disse o bispo Odilo Pedro Scherer, secretário-geral do episcopado. "A Amazônia, geralmente idealizada como um paraíso tropical, passa por imensas transformações, principalmente devido ao impacto da globalização sobre suas estruturas e sistemas exuberantes, mas frágeis", acrescentou Scherer.
A campanha "é um chamado à conversão, à solidariedade, a um novo estilo de vida e a um projeto de desenvolvimento à luz dos valores humanos e evangélicos, seguindo a prática de Jesus", frisou o documento da CNBB. O episcopado pretende promover um "modelo de desenvolvimento humano", que respeite o diálogo entre todas as culturas e a convivência carinhosa e cuidadosa com a natureza. "É um convite para que tomemos consciência da destruição que está ocorrendo e conheçamos todo o sofrimento e a resistência dos povoados amazônicos que tentam defender sua cultura", acrescenta a mensagem.
Sobre este tema, o bispo Murilo Krieger disse em artigo que a Amazônia brasileira representa 34% das reservas florestais mundiais e 30% das espécies de flora e fauna do mundo, além de 80% da água doce do país. A Amazônia brasileira está presente em nove dos 27 estados brasileiros e compartilha uma fronteira de 11.248 quilômetros com a Colômbia, Venezuela, Bolívia, Peru, Guiana, Suriname e Guiana Francesa. Os rios navegáveis da região somam 22 mil quilômetros de comprimento. Além disso, a Amazônia possui uma população estimada em 23 milhões de habitantes, sendo 208 mil indígenas de 163 tribos diferentes, enfatizou o religioso.
"A Igreja Católica do Brasil ouviu os clamores dos povos amazônicos", disse Krieger. "Eles querem ser reconhecidos e respeitados e não admitem que sua região seja vista apenas como uma terra de exploração e de enriquecimento rápido para uma minoria", acrescentou o bispo. A Igreja Católica também quer "multiplicar iniciativas missionárias e de solidariedade social", acrescentou o arcebispo de Florianópolis. Os missionários católicos que trabalham na Amazônia, muitos deles estrangeiros, enfrentam condições difíceis e questionam o que o resto da Igreja está fazendo por esta luta, segundo Krieger, citando um documento que tem dez anos e "continua atual".
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